Plantas alimenticias não convencionais – No Brasil, estudantes de mestrado e pesquisadores das universidades federais do Ceará, Goiás, São Paulo, Pará e Rio Grande do Sul, bem como das universidades estaduais do Ceará e São Paulo, compilaram dados nacionais de composição de alimentos usando o FAO- Metodologia INFOODS através da revisão sistemática e quantitativa de fontes de dados secundárias, particularmente teses de mestrado e doutorado e outras literaturas cinzentas.

As tabelas de composição de alimentos do Brasil também foram exploradas para dados sobre espécies priorizadas. Na primeira tese de mestrado a emergir do projeto BFN, os dados nutricionais de 21 das espécies priorizadas pelo projeto BFN foram compilados e comparados com os frutos mais consumidos no Brasil (de acordo com a mais recente pesquisa domiciliar – POF 2008-2009) : banana, laranja, maçã, mamão e melancia.

Os resultados destacaram o maior conteúdo de fibra alimentar, cálcio, ferro, magnésio, vitamina C e vitamina E contidos em frutas nativas (para aquelas frutas para as quais havia dados disponíveis). Ver abaixo.

O teor de vitamina C em 100g da polpa de quatro frutas nativas – camu-camu (1888mg), mangaba (332mg), caju do cerrado (294mg) e jabuticaba (238mg) – é pelo menos três vezes a quantidade contida em 100 g de variedades comuns de laranja (53mg), banana (21,6mg) e mamão (82,9mg).

As análises de laboratório estão sendo realizadas pelas universidades parceiras e pelo Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA) para preencher lacunas de nutrientes existentes para espécies priorizadas. Também estão sendo desenvolvidas receitas com os frutos nativos regionais priorizados. Alguns estão disponíveis na seção Receitas .

Foi estabelecida uma parceria da BFN com a Divisão de Horticultura da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária ( EMBRAPA Hortaliças ) para a inclusão de vegetais tradicionais na iniciativa Plantas para o Futuro .

Essa iniciativa lidera muitos programas agrícolas importantes que ajudam: i) na identificação da flora brasileira nativa usada local e regionalmente, mas que atualmente não cumpre seu potencial econômico; ii) na promoção do uso dessas espécies de plantas nativas pelos agricultores e iii) a criação de um ambiente propício para maiores oportunidades de investimento e criação de negócios para impulsionar o desenvolvimento de novos produtos locais comercializáveis.

Até agora, a EMBRAPA desempenhou um papel fundamental de parceria na implementação das atividades da BFN e no crescimento contínuo do banco de dados nutricional.

Organizaram-se portfólios com informações gerais sobre seis vegetais nativos que serão incluídos na publicação Plantas para o Futuro da região Centro-Oeste. Além disso, a EMBRAPA está atualmente analisando a composição dos alimentos de 20 espécies de folhas (seis das quais são nativas do Brasil).

Os dados e receitas de composição de alimentos gerados pelo Projeto BFN no Brasil estão agora hospedados no Banco de Dados de Composição Nutricional da Biodiversidade, como parte do Sistema de Informação sobre Biodiversidade Brasileira (SiBBr), criado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação para coletar informações sobre a biodiversidade brasileira e atualmente espalhados por bancos de dados em várias agências e fontes governamentais.

POLÍTICAS DE INFLUÊNCIA

Como agência executora nacional da BFN no Brasil, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) estabeleceu parcerias e relações com muitas das agências e ministérios envolvidos na estratégia Fome Zero lançada em 2003 para erradicar a fome e a pobreza no país.

Representantes de programas de políticas estratégicas, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) fazem parte dos comitês nacionais de direção e execução do Projeto, o que ajuda a criar uma política facilitadora ambiente para a promoção da biodiversidade para alimentação e nutrição no Brasil.

Como parte de seu compromisso com a Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD), o BFN Brasil liderou a revisão da Estratégia e Plano de Ação Nacional da Biodiversidade (NBSAP), envolvendo 400 participantes de instituições de todo o negócio, meio ambiente, academia, governo federal e estadual.

Setores, bem como povos indígenas e comunidades tradicionais, para definir vinte Metas Nacionais de Biodiversidade para o período 2011-2020, intimamente ligadas às Metas Aichi da CDB. Algumas das atividades do NBSAP agora incluem a utilização de espécies vegetais nativas com valor econômico real ou potencial como uma medida bem-sucedida da conservação da biodiversidade.

Em 18 de maio de 2016, após muita advocacia e lobby do projeto BFN e da iniciativa Plantas para o Futuro, a Portaria Nº 163 sobre Sociobiodiversidade foi publicada no Jornal Oficial da União do Brasil.

Assinada em conjunto pelos ministérios do Meio Ambiente e Desenvolvimento Social, esta Portaria marcou um passo importante na integração da biodiversidade para melhorar a segurança alimentar e nutricional. “Espécies alimentares brasileiras de valor nutricional da sociobiodiversidade” (lidas negligenciadas e subutilizadas) agora são oficialmente definidas e reconhecidas.

Em maio de 2018, a Portaria foi substituída pela Portaria 284, que aumentou o número de espécies da sociobiodiversidade para 100. Muitas dessas espécies foram analisadas pelo BFN Brasil para determinar seu valor nutricional, com o objetivo de integrar as informações nas políticas e programas nacionais relevantes.

AUMENTAR A CONSCIÊNCIA

O BFN Brasil demonstrou grande sucesso em colaborar com escolas para aumentar a conscientização sobre biodiversidade para alimentação e nutrição, com vistas a promover uma maior utilização de espécies comestíveis da flora nativa brasileira.

Por meio da colaboração com o Fundo Nacional de Desenvolvimento Educacional e o Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília, um projeto chamado Educar através de hortas escolares e gastronomiaestá orientando várias escolas na criação de viveiros de árvores para espécies nativas e no cultivo de hortaliças não convencionais em hortas escolares, em colaboração com a Embrapa Hortaliças, para incentivar hábitos alimentares saudáveis, diversificação alimentar e maior valorização da biodiversidade brasileira.

Além disso, muitos eventos de conscientização foram organizados em diferentes cidades brasileiras, como oficinas de culinária, eventos de degustação e feiras de alimentos, mostrando a delícia da biodiversidade nativa.

A BFN também está colaborando com a iniciativa “Rio Food Vision” ( Rio Alimentação Sustentável ), que visa contribuir com uma visão alimentar saudável e sustentável para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016 e seu legado para o Rio de Janeiro e o Brasil com uma plataforma transformadora cadeias de valor alimentar.

A iniciativa está trabalhando em estreita colaboração com o Comitê Olímpico e fornecedores, para permitir a inclusão de orgânicos certificados, comércio justo e alimentos da biodiversidade local durante os jogos.

Após a publicação de espécies nativas de importância econômica real ou potencial para a região sul do Brasil(consulte Recursos adicionais nesta página) pela Iniciativa Plantas para o Futuro do Ministério do Meio Ambiente, a BFN está trabalhando lado a lado com a iniciativa de continuar publicando textos de referência semelhantes para as regiões Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Sudeste.

Mais de 800 espécies foram priorizadas e agrupadas de acordo com seu uso principal: alimentos, aromáticos, fibras, forragens, madeira, medicamentos, ornamentais. No grupo comestível, mais de 100 espécies nativas subutilizadas de importância nutricional foram priorizadas.

Alguns estão incluídos na lista abaixo. A divulgação dessas informações deve impactar positivamente a conservação das plantas e promover maior valorização e uso da biodiversidade nativa brasileira. Os livros serão lançados em 2016 e 2017 e contribuirão para aumentar a colaboração intersetorial entre o governo federal,